Algumas publicações no mercado que abordam a água como uma mercadoria:
500 toneladas de partículas de plástico andam a boiar no mar Mediterrâneo, provenientes de objectos de uso diário que são deitados fora, como escovas de dentes, isqueiros, lâminas de barbear. Investigadores lançaram o alerta para o facto de estas partículas virem parar ao nosso prato. Os peixes e outras espécies marinhas confundem estas partículas, com um peso médio de 1,8 gramas, com plancton e ingerem-nas.
Uma grande parte do lixo é transportada pelos rios ou pelo vento para o mar. A poluição do mar Mediterrâneo com as partículas de plástico é de tal ordem que se tornou practicamente irreversível. Estes resultados foram recolhidos por uma expedição composta por membros da “Associação Mediterrâneo em Perigo” durante o Verão passado, tendo sido apresentados publicamente nos últimos dias. Aqui, aqui e aqui.
Água. Se a escassez é uma ameaça para vida, as inundações não lhe ficam a dever nada. Depois do Paquistão é agora a Austrália o palco de uma nova tragédia.
No Nordeste da Austrália, 200.000 pessoas são vítimas de inundações das quais não existe memória. A zona atingida é maior que a França e a Alemanha juntas, segundo as palavras da primeira-ministra australiana. Os Estados Queensland e Anna Blight estão debaixo de água. 22 cidades estão completamente submersas estando cortadas todas as ligações com o exterior.
Milhares de pessoas estão em fuga por causa das inundações. Nos últimos dias já foram evacuadas algumas cidades mais atingidas pelas cheias. A cidade Emerald atravessa neste momento uma grave escassez de alimentos. O abastecimento de água potável e electricidade está ameaçado.
Os prejuízos causados estão estimados na ordem dos milhares de milhões de dólares. Blight anunciou um fundo de emergência no valor de um milhão de dólares australianos (764.000 euros) para socorrer as vítimas das cheias. Julia Gillard, primeira-ministra australiana, prometeu uma quantia equivalente do fundo federal.
Devido às inundações, numerosas estradas foram fechadas ao trânsito. Os prejuízos causados na agricultura foram até agora estimados em 400 milhões de dólares (300 milhões de euros). Muitos agricultores viram as suas colheitas completamente destruídas.
Água, um bem inestimável e uma ameaça insuportável.

O direito a água potável passou a ser um direito humano. Este direito foi reconhecido ontem, 28.07.2010, pela Assembleia Geral das Nações Unidas, tendo a resolução sido aprovada por uma larga maioria dos seus membros, sem votos contra.
Cada ser humano tem oficialmente o direito reconhecido a água limpa e bebível para viver, ao lado de outros direitos também já oficialmente reconhecidos, como o direito a alimentação e o direito de viver livre de tortura e de discriminação racial. Esta resolução da ONU não pode ser reivindicada por meios jurídicos. O seu valor está na sua grande força simbólica. Ela põe na ordem do dia a importância urgente da água potável para uma parte significativa da população mundial.
Segundo o levantamento feito pelo Programa Ambiental da ONU, 884 milhões de pessoas no mundo não têm acesso, ou têm um acesso muito deficiente, a água potável. Além disso, 2,5 mil milhões de pessoas não têm acesso a instalações higiénicas ou outros equipamentos sanitários mais elementares. Todos os anos morrem mais de dois milhões de seres humanos devido à falta de água limpa ou por terem bebido água contaminada.
O embaixador da Bolívia Pablo Solon declarou na Assembleia Geral das Nações Unidas, durante a aprovação da resolução do direito humano a água potável, que devido a água contaminada morrem mais pessoas do que devido às doenças da sida, malária e sarampo, juntas. A maior parte das vítimas são crianças com idades abaixo de cinco anos. E entre elas é a diarreia a segunda doença a provocar mais vítimas mortais.
A escassez de água e o fenómeno da desertificação de antigas zonas agrícolas – problemas que antes só se conheciam de África e da Ásia – já se podem ver hoje na Europa. No sul de Espanha o deserto expande-se todos os anos um quilómetro para norte. E em cada vez mais regiões do nosso planeta a escassez de água está na origem de conflitos nas sociedades e entre estados. É o caso dos conflitos no Próximo Oriente entre árabes e israelitas e dos sete estados africanos atravessados pelo Nilo.

O gráfico aqui muito bem preparado também pode servir para nos dar uma ideia da forma abjecta como se desperdiça água em Portugal.
Mas esse é o lado negro da questão para as quais as autarquias se estão marimbando e com a qual não devemos sobrecarregar as consciências dormentes das castas golfistas.
A água cobre 70 por cento da Terra, sendo 97 por cento água salgada, 2 por cento gelos polares e glaciares e apenas 1 (um) por cento água doce, em condições de ser aproveitada pela Humanidade.

Orquídea selvagem (Foto tirada daqui)


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